sexta-feira, abril 17, 2009

Precisa-se de matéria prima para construir um País

O texto abaixo que Eduardo Prado Coelho escreveu antes de falecer, e que me foi enviado pela minha amiga Ana Rodrigues, descreve claramente o estado da nossa nacao. Subscrevo-o na totalidade.

Precisa-se de matéria prima para construir um País

A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres.

 

Agora dizemos que Sócrates não serve. E o que vier depois de Sócrates também não servirá para  nada.

 

Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates.

 

O problema está em nós. Nós como povo.

 

Nós como matéria prima de um país.

 

Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro.

 

Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais

apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais.

 

Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas  caixas nos passeios onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ  JORNAL,  DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.

 

Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, lips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos ... e para eles mesmos.

 

Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.

 

Pertenço a um país:

  • Onde a falta de pontualidade é um hábito;
  • Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano.
  • Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e, depois, reclamam do governo por não limpar os esgotos.
  • Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros.
  • Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é 'muito chato ter que ler') e não há consciência nem memória política, histórica nem económica.
  • Onde os nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar alguns.
  • Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser 'compradas', sem se fazer qualquer exame.
  • Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não lhe dar o lugar.
  • Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão.
  • Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes.

Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado.

 

Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas.

 

Não. Não. Não. Já basta.

 

Como 'matéria prima' de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que o nosso país precisa.

 

Esses defeitos, essa 'CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA’ congénita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até se converter em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é

real e honestamente má, porque todos eles são portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não noutra parte...

 

Fico triste.

 

Porque, ainda que Sócrates se fosse embora hoje, o próximo que o suceder terá que continuar a trabalhar com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos.

 

E não poderá fazer nada...

 

Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá.

 

Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, nem serve Sócrates e nem servirá o que vier.

 

Qual é a alternativa?

 

Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror?

 

Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa 'outra coisa' não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados,igualmente estancados....igualmente abusados!

 

É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda...

 

Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um messias.

 

Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada Poderá fazer.

 

Está muito claro... Somos nós que temos que mudar.

 

Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a acontecer-nos:

 

Desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e, francamente, somos tolerantes com o fracasso.

 

É a indústria da desculpa e da estupidez.

 

Agora, depois desta mensagem, francamente, decidi procurar o responsável, não para o castigar, mas para lhe exigir (sim, exigir) que melhore o seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido.

 

Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO DE QUE O ENCONTRAREI  QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO. AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO NOUTRO LADO.

 

E você, o que pensa?.... *MEDITE*!

 

[EDUARDO PRADO COELHO]

quinta-feira, março 26, 2009

“No Job? Create your own!”

Um amigo enviou-me hoje esta perola, publicada na CNN.

"No job? Create one!" [por Peter Bregman]

Não deixa ter alguma razão. Podemos olhar para esta crise financeira como uma época de desespero para os muitos milhares que perderam os empregos, e pelos muitos milhares que ainda o perderão. Podemos, aqueles que nós que ainda temos um emprego, andar profundamente preocupados, e com razão, sobre o futuro e sobre a constante insegurança em que vivemos, de perdermos os empregos de que dependemos.

Mas, e se olharmos para esta situação com uma outra perspectiva? E se esta for mesmo uma oportunidade? Eu acredito que sim. Que esta ‘e uma oportunidade que não podemos deixar passar. ‘E altura de mudar o sistema de modo a não estar dependente dos gigantes econômicos que ao cair, caiem em grande. Como diz o autor, as pessoas querem confiar mais nas pessoas do que nas empresas. Ha’ que agarrar esta oportunidade e não a deixar escapar.

quinta-feira, novembro 06, 2008

Go Bama!

Afinal, ainda há esperança para este pais!

terça-feira, julho 29, 2008

Segundo Tremor de Terra desde que estou aqui nos states

Bem, mais um tremor de terra para o meu reportorio. Estava eu aqui muito bem no escritorio quando isto comecou tudo a abanar: 5.8 de magnitude. 

Por coincidencia, foi a mesma magnitude do que senti tambem aqui na area de Los Angeles, em Pasadena, em 2005. Esse, como foi o primeiro que senti, foi bastante mais impressionante!

O melhor 'e que o pessoal que ja' esta' habituado a isto, ficou na maior, sentados nos seus lugares a continuar a trabalhar, enquanto que os novicos nisto comecaram todos a dirigir-se para a saida a passo acelarado, com um dos meus colegas quase em panico a correr :D

Nao deixa de ser uma experiencia que... mexe conosco :D

Fica aqui a noticia na CNN: A magnitude 5.8 earthquake has rattled Los Angeles

quarta-feira, julho 09, 2008

Primeira Grande Produção da Carolina :p

Há uns tempos atrás, a Carolina e eu "oferecemos" a nossa voz á produção de um video para a "Foundation for a Better Life". Como a fundação só tem sites em Ingles, Castelhano e Portugues Brazileiro, o video nunca apareceu em nenhum dos sites, mas aparentemente, foi transmitido em Portugal e outros paises de expressão Portuguesa. Penso que o video apareceu em alguns cinemas no periodo antes de comecar o filme, ou em alguns canais de televisão Portugueses. Muito graciosamente, depois de um ou dois telefonemas, a directora de Marketing da Foundation for a Better Life fez a gentileza de me enviar uma copia do clip em Portugues de Portugal para ficar como recordação para a familia e partilhar com amigos.

Para aqueles que não o viram, aqui está. As vozes são todas de portugueses a viver aqui em Utah. A Voz da menina (Vanessa), é a voz da Carolina. A ultima voz que ouvem no video, é a minha voz!

 

Para evitar confusões, fica aqui o disclaimer de que o copyright do video pertence á Foundation for a Better Life.

Enjoy! E digam lá que a Carolina não tem talento :P !!!

quarta-feira, junho 18, 2008

"Deltalina"

Finalmente, agora vale a pena tomar atencao ao "safety video" da Delta, nos meus voos semanais :D

O que antes era algo que, eu diria, 99% do pessoal no aviao pura e simplesmente ignorava, agora vejo todo o pessoal a tomar atencao :p E nao 'e so' pelo facto de a hospedeira ser um espanto, como e' obvio (e com esta vou dormir no sofa durante algum tempo :p), mas tambem porque o video esta' muito bem feito e ate' algo divertido. Ao menos, da' para compensar o facto de agora ter de pagar por cada mala checked in e pelos snacks se a fome apertar e os amendoins nao forem suficientes para acalmar o estomago :s ou para ...

Isto de ter de ir de aviao para o trabalho todas as semanas, tem que se lhe diga :D

segunda-feira, junho 16, 2008

Sinceramente, este mundo esta' perdido!

Hoje de manha enquanto estava no aeroporto 'a espera do meu voo para Los Angeles, como de costume, li as noticias na tsf e na cnn, e neste ultimo site, deparo-me com esta tragedia:

Police shoot man as he beats toddler

'E obvio que a primeira coisa que salta 'a vista 'e o horror do acto cometido pelo homem. Como 'e possivel fazer algo assim a uma crianca, esta' para alem da minha compreensao. Como pai, ainda mais se me parte o coracao ao ver que ha' pessoas neste mundo capazes de uma barbaridade destas.

Mas, ao ler o texto com mais atencao, salta a' vista outro aspecto: Como 'e que 'e possivel que varias pessoas tenham parado os carros 'a beira da estrada e nao tenham tomado nenhuma medida "eficaz", note-se, para impedir a morte da crianca? O texto descreve que as pessoas tentaram impedir o homem, mas este, determinado como estava, voltava ao ataque. Como 'e possivel que um grupo de pessoas tenha ficado a ver o ataque brutal de uma crianca indefesa de 1-2 anos, e nao tenham desancado o homem 'a paulada? Quando a policia interviu, ja foi tarde de mais.

Posso estar muito enganado, e como e' obvio, eu proprio nao estava la', mas na minha opiniao, aquelas pessoas sao tao culpadas como o que estava ao pontape' 'a crianca.

Sera' possivel que a sociedade actual (e para que aqueles que acham que eu so' falo mal dos americanos nao tenham nada a dizer...) em todo o mundo, teem tanto medo de nao ser "politicamente correctas" ou tao indiferentes que sao capazes de passar ao lado destas desgracas sem intervir?

No outro dia, nas noticias aqui nos States, mostrou o caso, filmado por uma camera de vigilancia, de um homem que foi atropelado ao atravessar a estrada no meio de uma rua movimentadissima, em que o carro que o atropelou, nao parou; os carros que vinham atras, apenas se desviaram do homem, mas nao pararam; e as pessoas que estavam na rua movimentada continuaram a andar, ou apenas ficaram a observar na berma da estrada sem ninguem se chegar ao homem para o ajudar. Ninguem chamou por uma ambulancia ligando para o 911 (numero de emergencia americano). Passaram quase 20 minutos ate que passou um carro da policia na sua patrulha de rotina que parou para ajudar o homem.

Sinceramente, eu nao sei o que diga sobre isto. Desafia a minha imaginacao e compreensao o estado do mundo em que vivemos, e tremo so' de pensar que em vez de melhorar, piora, e que e' neste mundo, seja aqui nos Estados Unidos, ou em Portugal, ou onde quer que seja, que as minha filhas estao a crescer.

Nao sei o que diga! Fazem falta mais iniciativas como esta da Foundation for a Better Life que tenta relembrar os valores essenciais 'a sociedade, mas mais que isso, faltam esses valores basicos a esta sociedade actual que apenas se preocupa com o consumo e com o seu proprio umbigo!

terça-feira, junho 03, 2008

Fantasmas do passado

Hoje estava a "surfar" pela net 'a procura de imagens para matar saudades de Setubal, onde nasci, quando me deparei com umas fotografias tiradas recentemente da Fabrica de Conservas Vasco da Gama, uma fabrica de conservas de Pescado onde o meu pai foi sub-gerente durante anos, ate' ao seu encerramento, penso que em 1995.

Quando eu era miudo (talvez entre os 7 e os 15 anos, por ai), 'as vezes durante as ferias da escola, eu ia com o meu pai para a fabrica e brincava o dia todo entre aquelas paredes. As operarias da fabrica tratavam-me como se fosse sobrinho delas, e eu claro, chamava tia a todas. Tenho muito boas recordacoes desses tempos, das brincadeiras e das "aventuras" que la' tive, ja' para nao falar das filhas das operarias ;P, e de passar tempo a pescar na muralha junto ao rio Sado, mesmo em frente da fabrica. Bons tempos.

Esses eram tempos aureos da industria conserveira em Setubal, uma das maiores industrias do pais.

Penso que em 1995/6 a Fabrica fechou, uma das ultimas fabricas conserveiras de Setubal, e tambem uma das maiores, atirando umas centenas de pessoas para o desemprego, incluindo o meu pai. Nao foram tempos muito faceis.

Hoje, isto 'e o que resta da Fabrica de Conservas Vasco da Gama (38°31'3.28"N, 8°52'18.41"W).

(Canais de preparacao de pescado)

(Azulejos nas paredes da entrada da Fabrica, Zona do refeitorio e balnearios)

[Fotos Cortesia ]

Agora, apenas restam os fantasmas do passado, os ecos de um tempo esquecido, apenas gravado nas almas dos que caminharam entre aquelas paredes, agora caidas.

terça-feira, maio 27, 2008

O Pai Babado volta a atacar!

Nao me vou esticar demasiado, porque a baba nao deixa: So' queria partilhar convosco que a minha filhota mais velha, a Carolina, nos exames finais da Terceira Classe, ficou entre os Top 10% a nivel nacional nos resultados em 7 das categorias examinadas :p

'E preciso virem para aqui os Portugueses para ensinar como se faz a coisa :D

Como podem imaginar, estou muito orgulhoso das minhas filhotas!

terça-feira, maio 06, 2008

As "Desvantagens" de estar longe

Hoje estava mais que visto que ia ser um dia diferente dos outros. Acordei com muitas saudades dos meus amigos e familia em Portugal. Há dias assim, uns melhores, outros piores.

Sim, podem dizer que a escolha de vir para aqui foi minha, sem dúvida, e que aqui tenho uma qualidade de vida talvez melhor em alguns aspectos (não todos), que em Portugal, mas a verdade é que quase nada compensa o facto de estar longe da familia e dos amigos, especialmente em alturas mais difíceis com hoje, em que a minha mãe me telefonou há pouco a comunicar-me que uma das minha tias, a minha Tia Emilia, acabára de falecer. E o estar longe sem puder estar perto da minha mãe para a confortar, e não poder despedir-me da minha Tia... é difícil.

Vocês que também estão longe de casa como eu, sabem a que me refiro.

Se calhar, não vale mesmo a pena estar assim longe! Há coisas muito mais importantes que isto!

USA... no seu melhor!

Sem comentários... fica aqui apenas o link para o artigo que se encontra no jornal online britanico "The Inquirer". Leiam os comentários no fim da página. Alguns deles são geniais :)

 

quinta-feira, abril 10, 2008

A arrogância americana...

... que mesmo ao admitir que são arrogantes, conseguem ser cegos em relação é sua arrogância e ao modo como vêm o mundo em geral.

O Glenn Beck (tem um programa na CNN Headline News e é talvez um dos "jornalistas" mais ultra-conservadores e incendiários, promotor, a meu ver, de racismo e intolerância nos mídia americanos), mais uma vez no seu melhor, consegue atirar um tiro ao lado (muito ao lado mesmo), dos problemas da sociedade americana, especialmente quando ele diz no seu editorial que os Estados Unidos são o "melhor, o mais caridoso, e mais livre pais que o mundo já alguma vez conheceu."

Confesso que é capaz de ter razão no que diz respeito ao "caridoso", mas como nunca á bela sem senão, a caridade americana é apenas direccionada aos paises e causas que lhes interessam e não aos sítios e situações onde é realmente necessária. Mas afirmar que são o pais mais livre do mundo??!!??!? Que hipocrisia.

Um pais onde uma pessoa não pode expressar a sua opinião politica livremente, com receio de os filhos serem ostracizados na escola, ou as pessoas no trabalho, onde as palavras têm de ser cuidadosamente escolhidas para não ser politicamente incorrecto, onde na igreja as pessoas são normalmente, ultra-convervadoras e cegas para o que se passa no resto do mundo e onde se pensa que a america é um sitio escolhido por Deus para ser uma luz para o mundo e em que pensam que os americanos são "God´s gift to the world" (para usar as suas proprias palavras), não é definitivamente, e no meu dicionário, o pais mais livre do mundo.

É sim, um pais cheio de hipocrisias, contradições e cheio de cegos, obfuscados pela sua propria arrogância!

Podem ler o artigo do Glenn Beck aqui: Glenn Beck: America needs a 12-step program

Como disse antes, ele não deixa de ter razão em alguns pontos, mas na maioria... está muito longe do alvo, como de costume!

quinta-feira, março 20, 2008

Mais uma vez... encalhado no raio de um aeroporto!

Esta vida de consultor "itenerante" ja' comeca a fartar! Ja' nem teem conta as vezes que ja' fiquei preso no raio do aeroporto porque o voo esta' atrazado, ou foi cancelado, ou o aviao teve uma avaria, etc, etc, etc! Nao ha' coisa que me irrite mais do que ficar 'a espera de um aviao atrazado, especialmente a' 5a feira, dia em que estou ansioso por voltar a casa, cheio de saudades da Kita, da Carolina e da Joana! 

It's getting old!

Agora estou no aeroporto de Chicago O'Hare. Cheguei aqui 'as 6:30 da tarde. O meu voo era para ter saido 'as 8pm. Sao agora 9:09 e acabo de ser informado que o aviao ainda nem sequer aterrou em La Guardia, de onde deveria vir antes de aqui chegar a Chicago. Para ja', esta' para previsto sair daqui 'as 11:45 pm. Ja' entretanto, ja' mudei de gate tres vezes :| Ainda por cima, parece que a partir da meia noite vai comecar a cair uma tempestade de neve aqui em Chicago que vai trazer cerca de 30 cm. de neve no chao! Com o meu azar, ainda cancelam o voo por causa disto! Aaaarrrggghhhhhhh!!!!

Acho que esta' na altura de comecar a ter uma vida mais calma! Para meu bem e para bem das miudas! Alem disso, dizem que a probabilidade de um tipo sofrer um acidente de aviacao 'e de 1:1,000,000... com practicamente 3 anos a voar de um lado para o outro todas as semanas... as minhas probabilidades comecam a aumentar :D

O Maestro

Na semana passada fui com a Kita e as miudas assistir a um concerto de encerramento de um Festival de Jazz que fizeram aqui na cidade onde vivemos.

No final do concerto, actuou uma orquestra composta por alunos de musica de varios pontos do estado de Utah. Uma orquestra com imensa qualidade, quase profissional! O que mais me chamou a atencao nao foi o modo como os musicos tocaram, mas sim, o modo automatico como respondiam 'as instrucoes silenciosas do maestro.

Eu nao sei se alguma vez assistiram a concerto de Jazz, mas tipicamente, no meio de uma peca, ha' sempre o que se chamam "jam sessions", em que um ou mais dos musicos comecam a "esgalhar" com o instrumento e os outros membros da orquestra acompanham com um ritmo quase que improvisado mas claro, tudo muito bem controlado pelo maestro. Quando musico que esta' na sua transe de "jam" atinge o auge, o meastro volta a recuperar o controlo da orquestra.

O trabalho do maestro e dos membros da orquestra estava tao bem sincronizado, que nao pude deixar pensar no contraste entre aquela orquestra e os projectos em que tenho participado, e ja' la' vao 13 anos de projectos na area das tecnologias de informacao. De entre todos estes projectos, eu acho que talvez dois ou tres se comparam aquela orquestra e aquele maestro. O resto, 'e precisamente o contrario.

Nao pude deixar de pensar como um chefe de projecto e os membros da equipa se devem comportar como um maestro e a sua orquestra, para que um projecto seja bem sucedido.

O maestro tem que ter sempre controlo total da sua equipa. Nao num sentido tiranoco ou ditatorial. Mas sim, por conhecer a equipa como ninguem e por ter o respeito da equipa. Tambem nao quer dizer que o maestro deve saber mais sobre o instrumento que o musico toca, mas o maestro tem que conhecer toda a partitura, e saber quando 'e a vez do trombone entrar, e quando os tambores devem comecar a ressoar! No mesmo modo, e' tambem imperativo que os musicos tenham confianca total no maestro e saibam olhar para este para saber qual 'e a sua deixa e quando devem piar fino ;)

Nestes 13 anos de projectos, devo ter conhecido talvez dois ou tres chefes de projecto que souberam ter este tipo de interaccao com a equipa de projecto, o que nao quer dizer que mesmo nestes projectos nao tenham havido "artistas" e a querer arrancar em jam sessions sozinhos, mas estes chefes de projecto souberam trazer os "artistas" de volta ao seio da orquestra.

Tive tambem o previlegio de tocar com uma das melhores "orquestras" de sempre, e os musicos desta orquestra sabem quem sao! E espero um dia, voltar a tocar com eles, e a ter um maestro tao bom, e que saiba "reger" tao bem 'a "Capela" como umas das melhores maestras de sempre com quem tive o previlegio de tocar!

Que saibamos todos tocar bem e em conjunto, e que tenhamos ou sejamos maestros competentes e conhecedores da partitura, para que tenhamos melhores actuacoes no futuro para que de mais gozo ainda tocar nesta banda das tecnologias de informacao ;)

 

E que para a proxima, que alguem de me com uma coisa na cabeca, para nao estar a pensar em trabalho, quando devia estar a apreciar um bom concerto :s

quarta-feira, março 19, 2008

Carolina, a melhor contadora de historias de entre a 1a, 2a, e 3a Classes da Escola dela!

Todos os anos na escola da Carolina, fazem um concurso de "Story Telling", onde escolhem dois alunos para representar a escola: 1 para representar as tres primeiras classes, e outro para representar as tres ultimas.

Este ano, a Carolina ficou em primeiro lugar nas tres primeiras classes, ao contar a historia do Capuchinho Vermelho, vista da perspectiva da Avo da Capuchinho! Escusado sera' dizer que foi um espectaculo. E escusado sera' dizer que eu neste momento sou um pai muito baboso e orgulhoso da minha filhota mais velha!

A Kita filmou o evento. Vou ver se converto o filme este fim de semana e coloco aqui no site.

Depois deste evento, ela vai ter a oportunidade de participar num festival de Story Telling que fazem todos os anos na primavera aqui no Vale! 'E uma artista, esta minha filhota!

quarta-feira, setembro 26, 2007

Pelos vistos, Portugal 'e um pais seguro para as criancas!

Eu prometi a mim mesmo que nao escreveria nada no meu blog sobre o caso McCann, mas como pelos vistos, de acordo com o "International Centre for Missing and Exploited Children", a Madeleine McCann 'e a unica crianca desaparecida em Portugal, apresento aqui as minhas desculpas a todos por, durante todos estes anos ter pensado que Portugal era um pais inseguro e que tambem desapareciam criancas em Portugal. Estava enganado!

Agora a serio... das duas umas: a) Ou os portugueses nao se sabem mexer e divulgar por todos os meios possiveis os casos das centenas se nao milhares de casos de criancas desaparecidas em Portugal, ou  entao, b) somos um pais tao pequenino e tao sem importancia que nem as criancas que aqui desaparecem teem qualquer valor para o resto do mundo.

Isto tem que mudar! Se nao por nos, pelas nossas criancas!"

quinta-feira, agosto 09, 2007

A melhor estrategia terrorista de todos os tempos!

Ora o meu amigo Mario Sobral enviou-me esta perola de post, escrita por ele, deixado no Freakonomics, o blog de Steven Leavitt, o author do livro com o mesmo nome do blog, onde este descrevia um possivel atentado terrorista nos Estados Unidos e perguntava aos leitores se eles fossem terroristas, que tipo de atentado fariam. O post do Mario Sobral (post #88) bate o resto aos pontos, e isso pode ser constatado pelas respostas que se seguiram. Esta gente anda mesmo cega!

Aqui se segue, na integra, o post do Mario Sobral, publicado com a devida autorizacao do autor, e o qual subscrevo totalmente:

"The best terror strategy is simple.

Become president of the powerful nation you wish to bring to their knees, even if you have to cheat your way through the elections. Keep your country’s citizens as scared of something as possible. Make them feel they are under constant threat from some outside force, but you MUST give it a name. Names known to help with this consist of “the communists”, “the terrorists”, “the traitors”, “the enemy”. Do not use any name that can be specific, it must be something that anyone can be accused of regardless of being the truth or not !!! And just to make sure you really scare them, throw in some “weapons of mass destruction” expressions whenever possible. Meanwhile, make sure you do everything possible to lose all the support from your country’s long time allies and friends, it will help your people think you are the only salvation and protection for them, and make them become more united “against the threats”.

Then, make sure you invade a poor country which produces a high amount of something essential to your economy, preferably a country you have supported and sold weapons to before. You can make up any excuse to justify your actions, as long as it means getting back at the named threats previously mentioned.
Going to war usually makes your people support even more your most terror inducing decisions, since they are too busy watching “YourCountry Idol” on TV to really understand what’s going on. If you discover that your objectives for the war, which never existed in the first place except to keep people scared, aren’t achieavable, just send in more troops and mention words of “bring democracy there”, “protect the weak”, “save the people in distress” or something similar that shows how your intentions towards the invaded country are much better than your actions towards your own people in your own country.

But be careful, there’s a risk that a natural disaster like a hurricane may bring attention to your plot to transform a once prosperous and democratic country admired by many allies, into a nation of scared overweight and neglected citizens.

If you do things right, it may take some time, but your country should then be hated by many more people than ever, your allies will avoid supporting your actions as much as possible, your domestic economy should be soon folding to rising economies of other big “waking bear” countries and best of all, you’ll retire rich and without ever being punished for any of your lying, cheating, terror inducing strategy.

— Posted by Mario Sobral "

Muito bem, Mario! Sem comentarios!

quinta-feira, junho 14, 2007

O que 'e que a GNR esta' a fazer na Palestina?

'E uma questao realmente pertinente, uma vez que estao a gastar dinheiro ganho arduamente pelos contribuintes portugueses. E qual a razao da minha questao? De acordo com o site da TSF, numa noticia publicada ontem (13/06/2007), sob o titulo Gaza - Militares Portugueses abandonam o local, os militares da GNR " que integram uma missão internacional da União Europeia na Faixa de Gaza abandonaram o território, devido à falta de segurança que se sente no local".

O Major que comanda as forcas da GNR no local disse ainda que "A guarda presidencial que assegura a nossa segurança neste momento não consegue assegurar a sua própria segurança", adiantando que os militares portugueses deverão regressar à Faixa de Gaza logo que "as condições de segurança estiverem restabelecidas".

Afinal, o que 'e que eles la estao a fazer? A passar umas ferias pagas pelos contribuintes Portugueses? Onde 'e que ja' se viu uma forca militar necessitar da protecao de quem foram defender? 'E caso para sugerir que se calhar, tambem deviam ter a PSP a proteger-lhes as costas ao cumprirem a sua missao nas estradas e fora das cidades Portuguesas. Nunca se sabe se uma ovelha amalucada ainda decide atacar um GNR e como nao se podem defender a eles proprios... mais vale protege-los.

Isto so' visto!

sexta-feira, maio 18, 2007

Uma luz ao fundo do tunel!

Nem tudo esta' perdido quando um comentador americano tem a coragem de assumir a arrogancia dos americanos e a dificuldade que teem em aprender com a historia ou a lembrar-se da dela.

Este artigo pode ser lido aqui. Foi publicado no site da CNN no dia 18 de Maio de 2007.

"By Roland S. Martin, CNN contributor


Roland S. Martin is a CNN contributor and a talk-show host for WVON-AM in Chicago.
(CNN) -- Former New York Mayor Rudy Giuliani was declared the winner of Tuesday's Republican presidential debate in South Carolina, largely for his smack down of Texas Rep. Ron Paul, who suggested that America's foreign policy contributed to the destruction on September 11, 2001.

Paul, who is more of a libertarian than a Republican, was trying to offer some perspective on the pitfalls of an interventionist policy by the American government in the affairs of the Middle East and other countries.

"Have you ever read about the reasons they attacked us? They attack us because we've been over there. We've been bombing Iraq for 10 years," he said.

That set Giuliani off.

"That's really an extraordinary statement," said Giuliani. "As someone who lived through the attack of September 11, that we invited the attack because we were attacking Iraq; I don't think I've ever heard that before and I've heard some pretty absurd explanations for September 11."

As the crowd applauded wildly, Giuliani demanded that Paul retract his statements.
Paul tried to explain the process known as "blowback" -- which is the result of someone else's action coming back to afflict you -- but the audience drowned him out as the other candidates tried to pounce on him.

After watching all the network pundits laud Giuliani, it struck me that they must be the most clueless folks in the world.

First, Giuliani must be an idiot to not have heard Paul's rationale before. That issue has been raised countless times in the last six years by any number of experts.
Second, when we finish with our emotional response, it would behoove us to actually think about what Paul said and make the effort to understand his rationale.
Granted, Americans were severely damaged by the hijacking of U.S. planes, and it has resulted in a worldwide fight against terror. Was it proper for the United States to respond to the attack? Of course! But should we, as a matter of policy, and moral decency, learn to think and comprehend that our actions in one part of the world could very well come back to hurt us, or, as Paul would say, blow back in our face? Absolutely. His real problem wasn't his analysis, but how it came out of his mouth.
What has been overlooked is that Paul based his position on the effects of the 1953 ouster by the CIA of Iranian Prime Minister Mohammad Mossadegh.

An excellent account of this story is revealed in Stephen Kinzer's alarming and revealing book, "Overthrow: America's Century of Regime Change from Hawaii to Iraq," where he writes that Iran was establishing a government close to a democracy. But Mossadegh wasn't happy that the profit from the country's primary resource -- oil -- was not staying in the country.

Instead, the Anglo-Iranian Oil Company (now known British Petroleum, or BP) was getting 93 percent of the profits. Mossadegh didn't like that, and wanted a 50-50 split. Kinzer writes that that didn't sit too well with the British government, but it didn't want to use force to protect its interests. But their biggest friend, the United States, didn't mind, and sought to undermine Mossadegh's tenure as president. After all kinds of measures that disrupted the nation, a coup was financed and led by President Dwight Eisenhower's CIA, and the Shah of Iran was installed as the leader. We trained his goon squads, thus angering generations of Iranians for meddling in that nation's affairs.

As Paul noted, what happened in 1953 had a direct relationship to the takeover of the U.S. Embassy in 1979. We viewed that as terrorists who dared attack America. They saw it as ending years of oppression at the hands of the ruthless U.S.-backed Shah regime.

As Americans, we believe in forgiving and forgetting, and are terrible at understanding how history affects us today. We are arrogant in not recognizing that when we benefit, someone else may suffer. That will lead to resentment and anger, and if suppressed, will boil over one day.

Does that provide a moral justification for what the terrorists did on September 11?
Of course not. But we should at least attempt to understand why.

Think about it. Do we have the moral justification to explain the killings of more than 100,000 Iraqis as a result of this war? Can we defend the efforts to overthrow other governments whose actions we perceived would jeopardize American business interests?

The debate format didn't give Paul the time to explain all of this. But I'm confident this is what he was saying. And yes, we need to understand history and how it plays a vital role in determining matters today.

At some point we have to accept the reality that playing big brother to the world -- and yes, sometimes acting as a bully by wrongly asserting our military might -- means that Americans alive at the time may not feel the effects of our foreign policy, but their innocent children will.

Even the Bible says that the children will pay for the sins of their fathers.
The opinions expressed in this commentary are those of the writer. This is part of an occasional series of commentaries on CNN.com that offers a broad range of perspectives, thoughts and points of view."

Faco minhas as palavras de Roland Martin!

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Se ao menos se lembrassem que o problema 'e a intolerancia...

Hoje de manha ao vir para o emprego, vinha a ouvir na radio uma historia sobre tres mulheres, americanas, uma Muculmana, uma Crista e uma Judia, que se juntaram depois do 11 de Setembro para escreverem um livro de historias para criancas a explicar os pontos comuns entre as tres principais religioes. Para tal, comecaram por se reunir para discurtir os pontos em comum, mas o resultado das primeiras reunioes foi tao mau, devido 'as discussoes que se geraram devido 'as diferencas, que resolveram desistir do projecto do livro para criancas e dedicarem-se a escrever um livro para adultos.

Durante a reportagem, fizeram algumas entrevistas 'as ditas senhoras, e a unica coisa que mencionavam repetidamente era que afinal havia muitos pontos em comum, porque as tres religioes tinham a mesma origem patriarcal em Abraao, etc, etc, etc. Nao vos consigo explicar aqui todo o conteudo das "conclusoes" destas senhoras porque sao tao futeis, que a certo ponto desliguei-me da entrevista pelo simples facto de que apesar das aparentes boas intencoes destas senhoras, elas nao terem conseguido atingir o principal problema das religioes em geral: a falta de tolerancia!

Por muito que se diga e que se debatam as semelhancas com o objectivo de aproximar as partes, como por exemplo o facto de que o islao afinal nao e' tao diferente do cristianismo ou do semitismo, ou que os muculmanos afinal tambem acreditam em Jesus embora achem que ele era um profeta e nao um messias ou acreditem tambem que Moises foi um profeta assim como os judeus e os cristao, etc, etc, etc, a verdadeira solucao para o problema esta' na simples tolerancia religiosa. O problema esta no simples facto de que nenhuma das religioes pratica aquilo que prega: A tolerancia, o amor fraternal, paz na terra e boa vontade entre os homens.

Sim, estas sao palavras cristas, mas a mensagem 'e a mesma vinda qualquer religiao. Pelo contrario, as religioes pregam intolerancia e pouca boa vontade entre os homens. Quando, por exemplo, os cristao pregam que temos de ter compaixao para com os membros de outras religioes, nao e' essa uma forma de intolerancia? Nao essa uma forma de olhar com desdem para aquilo em que os outros acreditam e como tal, devemos ter compaixao por eles?

No dia em que todos os homens aprenderem a tolerar-se e a viver uns com os outros, ai sim, teremos paz mundial! Mas algo me diz, que isso nao esta' na natureza humana'... nao esta' em no's!